Desemprego e informalidade

No cenário internacional, a sociedade brasileira é compradora de tecnologias. Somos importadores de produtos, bens e mercadorias sofisticadas que dominam o ambiente global e, ao mesmo tempo, somos exportadores de matérias-primas de baixo valor agregado. Avançamos pouco em alguns mercados competitivos, mas continuamos dependentes de tecnologias externas. Compramos máquinas, softwares e equipamentos refinados.
Nossos investimentos em ciência e tecnologia são pífios e, ao mesmo tempo, construímos um ecossistema de inúmeras universidades públicas, altamente qualificadas e dotadas de grande conhecimento em variadas áreas e setores. Mesmo assim, degradamos nosso patrimônio, destruímos nossa infraestrutura científica e expulsamos pesquisadores qualificados para outras regiões do mundo. Desta forma, continuamos dependentes do mercado internacional e perpetuamos, internamente, salários precarizados, informalidade elevada e péssimas condições de sobrevivência.
Nesse contexto, percebe-se que a estrutura de emprego e renda permanece marcada pela precariedade. Embora os dados oficiais indiquem a geração de inúmeros postos de trabalho e apontem para baixos índices de desemprego, observa-se que grande parte dessas vagas é caracterizada por baixos salários, jornadas de trabalho intensas, elevada rotatividade e reduzida proteção social. Como consequência, perpetua-se um cenário de deterioração das relações de trabalho, marcado pelo crescimento da informalidade, pela redução dos rendimentos dos trabalhadores e pelo aumento da exploração da força de trabalho. Além disso, essa realidade exerce forte pressão sobre o sistema de seguridade social, podendo comprometer sua sustentabilidade financeira nas próximas décadas e impor desafios significativos às futuras gerações.
Percebemos ainda governos que estimulam o crescimento econômico mediante uma política fiscal expansionista e, ao mesmo tempo, utilizam uma política monetária restritiva, ou seja, aumentamos os gastos públicos, geramos empregos e informalidade e utilizamos taxas de juros elevadas que impulsionam o endividamento da população. Com isso, os governos adotam políticas públicas para reduzir o endividamento, criando inúmeros refis, o desenrola I, II… até quando?
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