Saúde desperdiçada

Em apenas seis meses, mais de 213 mil consultas agendadas deixaram de acontecer porque o paciente simplesmente não compareceu. O índice de abstenção de 27,4% significa que, de cada dez consultas marcadas, três são desperdiçadas.
É verdade que nem toda falta decorre de irresponsabilidade. Há quem adoeça, enfrente dificuldades de transporte, problemas familiares ou imprevistos de última hora. Essas situações fazem parte da realidade e devem ser compreendidas. O que não pode ser tratado como normal é o hábito de faltar sem qualquer aviso, impedindo que a vaga seja destinada a outra pessoa que aguarda, muitas vezes há meses, por atendimento.
Quando alguém deixa de comparecer a uma consulta e não faz o cancelamento antecipado, o prejuízo é coletivo. A cadeira vazia representa tempo de um profissional desperdiçado, recursos públicos mal utilizados e uma oportunidade perdida para outro paciente que permanece na fila. Em um sistema que convive diariamente com alta demanda e orçamento limitado, esse comportamento é danoso à sociedade.
Não se trata apenas de educação ou gentileza, mas de cidadania. Quem utiliza o SUS precisa compreender que está compartilhando um serviço público com milhares de outras pessoas. Cada consulta perdida pode significar o adiamento do diagnóstico de uma doença, o atraso no início de um tratamento ou a permanência desnecessária de alguém em sofrimento.
Esta matéria foi útil? Para ler na íntegra acesse o portal de origem:


Deixe o seu comentário