Quando a escola forma famílias

A universalização do acesso no Brasil, embora próxima de 100% no ensino fundamental, não garantiu a democratização do conhecimento. O sistema falha em corrigir distorções relacionadas à cor, ao gênero e à renda, funcionando, muitas vezes, como um mecanismo de reprodução social. Para romper esse ciclo, é urgente a implementação do ensino integral. Minha proposta expande essa ideia: a escola deve ser o lócus da inclusão e do aperfeiçoamento profissional dos pais. Enquanto os filhos estudam em tempo integral, as prefeituras e os estados devem oferecer, na mesma unidade, cursos de qualificação profissional e EJA para as famílias. Essa medida eleva o capital humano dos pais, que passam a servir de exemplo prático aos filhos.
Complementarmente, é necessária uma política de incentivo à leitura pelo exemplo. Proponho que os municípios instituam benefícios sociais e fiscais para pais que comprovarem a leitura de obras indicadas por órgãos educacionais, mediante resumos ou avaliações. Essa estratégia visa aumentar o capital cultural do ambiente doméstico, transformando o hábito de ler em uma prática familiar valorizada e recompensada pela gestão pública.
Essa proposta exige a superação da “prefeiturização”, a mera transferência de encargos sem recursos, em favor de um verdadeiro Regime de Colaboração e de um Sistema Nacional de Educação articulado. A participação social, por meio dos Conselhos Municipais e dos Conselhos de Controle Social, deve ser fortalecida para garantir transparência.
Em suma, para que a escola pública brasileira deixe de ser um “campo de negócios” e se torne um instrumento de justiça social, ela deve abraçar a família em sua integralidade. Ao promover os capitais humano e cultural dos pais, criamos um ecossistema educacional em que o sucesso do estudante não seja determinado por sua “circunstância de nascimento”, mas pela força de uma rede pública solidária e transformadora.
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