Saúde mental dos professores: os números que não podem mais ser ignorados

Os números têm a capacidade de transformar aquilo que muitos insistem em tratar como percepção em uma realidade impossível de ser contestada. E os dados mais recentes obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) sobre os afastamentos de professores da rede estadual paulista por transtornos mentais e comportamentais cumprem exatamente esse papel: revelam uma crise que já ultrapassou os limites individuais e se tornou um problema estrutural da educação.
Em 2025, foram registrados 33.309 afastamentos favoráveis de professores efetivos da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo relacionados a transtornos mentais e comportamentais, classificados no Capítulo V da CID-10. Apenas no primeiro trimestre de 2026, já haviam sido contabilizados 6.256 afastamentos pelo mesmo motivo.
Embora os dados não permitam identificar quais transtornos são mais frequentes, eles são suficientes para demonstrar que o adoecimento emocional dos docentes deixou de ser um episódio isolado. Trata-se de um fenômeno recorrente, com impactos diretos na qualidade do ensino, na continuidade do aprendizado dos estudantes e na própria sustentabilidade da carreira docente.
É importante compreender que esses números não surgem por acaso. O professor brasileiro convive diariamente com uma combinação de fatores que desgastam sua saúde física e emocional: violência dentro das escolas, desrespeito à autoridade pedagógica, sobrecarga de trabalho, cobranças cada vez maiores por resultados, excesso de burocracia, falta de profissionais de apoio e uma crescente sensação de desvalorização da profissão.
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